quarta-feira, 9 de maio de 2018

Resenha: Saxon - Tropical Butantã (SP - 03/05/2018)


Já faz alguns anos que o Heavy Metal vem passando por uma fase, digamos, inspirada. Seja no estilo que for, bandas novas e velhas tem nos apresentado trabalhos que tem tudo o que é necessário para receber a alcunha de clássicos futuramente. Mas oras, se tem sido corriqueiro tais lançamentos, por que toda essa comoção em cima do novo disco de estúdio do quinteto saxão originário da pequena cidade de Barnsley? Simples! Em 2018, alguns dos velhinhos mais porretas da música pesada resolveram chutar a porta da frente e mostrar que a idade é um mero detalhe. O Heavy Metal tradicional, encabeçado por nomes consagrados como Judas Priest, Riot V, Blitzkrieg, Anvil e, é claro, o Saxon, nos trouxe registros impecáveis e muito acima da média.

"Thunderbolt" foi lançado no dia 2 fevereiro e, desde então, vem sendo ovacionado por fãs ao redor do mundo. O disco é extremamente coeso, funcional, grudento e, foi para divulgá-lo que Biff Byford, Paul Quinn e cia, chegaram ao Brasil no último dia 3 de maio. Uma única apresentação foi marcada no país e os agraciados foram os moradores da cidade de São Paulo, o local escolhido foi o Tropical Butantã e a casa de shows sofreu bastante com a desorganização. O que pude notar é que não estavam preparados para um evento dessa magnitude e não esperavam um público tão grande. Paciência...

O evento teve como banda de abertura, o sexteto paulistano do Armored Dawn, divulgando o seu mais recente trabalho, "Barbarians In Black". A banda executa um Power Metal correto e mandou um set list enxuto, cumprindo bem o seu papel.

Quando o relógio se aproximou das 21:30, o local estava simplesmente abarrotado para receber calorosamente o Saxon. O clima era dos melhores, a expectativa dos presentes era altíssima e foi com a faixa "Thunderbolt" que a banda adentrou o palco, fazendo estremecer o lugar e levando o público presente ao delírio. Na sequência, duas canções mais recentes, a porrada "Sacrifice" e mais uma pertencente ao novo registro, a grudenta "Nosferatu", ambas mostrando que o grupo não vive apenas do seu passado glorioso.

Os gritos de "Saxon, Saxon, Saxon..." foram interrompidos pela pergunta de Biff, "vocês estão prontos?" Vamos voltar ao ano de 1980 agora!". E foi em meio a arrepios e um sentimento de nostalgia impagável, que "Motorcycle Man", do clássico álbum "Wheels Of Steel", foi executada seguida de "Strong Arm Of The Law", do disco homônimo também lançado em 1980. "Battering Ram" não deixou a peteca cair e foi seguida de mais um hino máximo do Metal oitentista: "Power And The Glory".

Para dar um refresco ao público, duas excelentes composições do mais recente trabalho, a classuda "Sniper" e a impecável "The Secret Of Flight", ambas muito bem recebidas. Com pouco mais de 35 minutos de show, chegava a hora de desfilar mais alguns clássicos e a sequência iniciada com "Dallas 1 PM", ainda contou com a inesperada "Never Surrender", que arrancou sorrisos de satisfação de todos os presentes. Biff iniciou um diálogo com a platéia e brincou, "hoje nós poderemos tocar The Eagle Has Landed, poderemos tocar Broken Heroes ou, até mesmo, poderemos tocar Ride Like The Wind". A platéia incendiou e o frontman continuou "vocês estão loucos por isso, não? O que vai ser? Broken Heroes ou Ride Like The Wind?"

O barulho feito pelo público convenceu Biff de qual canção os fãs queriam escutar e "Ride Like The Wind" foi tocada causando enorme euforia na platéia, mas se não bastasse, "Broken Heroes" não poderia ficar de fora e também foi tocada pra fazer todos entoarem a plenos pulmões o célebre refrão "Where are they now/ The broken heroes". Um momento único e impagável.

Depois de duas faixas mais tranquilas, chegava a hora de incendiar o Tropical Butantã novamente e "They Played Rock And Roll" chegou para homenagear Lemmy Kilmister e o Motorhead, mas foram nas duas faixas seguintes que a casa veio a baixo. "And The Bands Played On" surpreendeu e foi prontamente seguida por nada menos que "747 (Strangers In The Night)". Não houve quem ficou parado.

Os momentos derradeiros se aproximavam e depois de "Sons Of Odin", última canção executada do novo álbum, o Saxon preparou uma sequência final que foi uma verdadeira sacanagem. Já presenciei diversas apresentações de bandas consagradas, mas não me recordo de um final de show tão avassalador quanto esse. A épica "Crusader" arrancou calafrios e lágrimas, e foi precedida da matadora "Princess Of The Night". A platéia enlouqueceu, abriu moshs por toda a casa e a alegria era nítida nos olhares incrédulos de todos.

Um pequeno intervalo se fez necessário e a banda voltou ao palco com nada menos que "Heavy Metal Thunder" e "Wheels Of Steel", simplesmente épico! E não era só, ainda houve tempo para "Denim And Leather" esgotar todas as reservas de energia da platéia. Um final digno dos mais de 40 anos de estrada dessa que é uma das bandas mais icônicas de todo o Heavy Metal.

Apresentação impecável, performance acima de qualquer ressalva e um set list escolhido a dedo. Realmente, o dia 3 de maio de 2018 entrou pra história e, quem esteve presente, guardará estes momentos na memória pra sempre.

Set list:

1. Thunderbolt
2. Sacrifice
3. Nosferatu (The Vampires Waltz)
4. Motorcycle Man
5. Strong Arm of the Law
6. Battering Ram
7. Power and the Glory
8. Sniper
9. The Secret of Flight
10. Dallas 1 PM
11. Never Surrender
12. Ride Like the Wind
13. Broken Heroes
14. They Played Rock and Roll
15. And the Bands Played On
16. 747 (Strangers in the Night)
17. Sons of Odin
18. Crusader
19. Princess of the Night

Encore:

20. Heavy Metal Thunder
21. Wheels of Steel

Encore 2:

22. Denim and Leather

Redigido por Fabio Reis do Mundo Metal