quarta-feira, 14 de junho de 2017

Rememorando: "Tarkus", o primeiro pilar da "Santíssima Trindade" do ELP


Há 46 anos era lançado o álbum "Tarkus", clássico do Emerson, Lake & Palmer.

No espaço Rememorando, leia o texto que escrevi ano passado à ocasião dos quarenta e cinco anos de seu lançamento.

Os 45 anos de "Tarkus", o primeiro pilar da "Santíssima Trindade" do ELP!

Após o ótimo álbum de estreia, o auto intitulado, de 1970, o trio de rock progressivo bretão embebido em jazz e música clássica, Emerson, Lake And Palmer queria voar mais alto.
Para ser mais específico, o tecladista genial e mola propulsora do grupo, Keith Emerson o queria.
Após algumas divergências com o homem das cordas e voz da banda, Greg Lake, Emerson vencera a queda de braço e teve início a confeção da primeiro álbum conceitual do ELP, lançado em 14 de junho de 1971, constituído por uma grande suite faixa-título, ocupando todo o lado A e mais seis faixas compondo o lado B.
A capa, de autoria do pintor William Neal, trazia uma figura surreal, meio tanque, meio tatu (Tártaro x Carcaça) com o nome da obra escrita em ossos, simbolizando a grande bobagem que é o advento da guerra.
A suite Tarkus, subdividida em 7 partes é a primeira obra-prima composta pelo trio em sua carreira.
Ela fala em sua letra sobre uma Máquina de Guerra que segue destruindo tudo o que vê, é questionada e confrontada por seres mitológicos e lendas e finalmente derrotada.
Trata-se de uma verdadeira aula de jazz-rock prog, onde se tentarmos distinguir em nossos ouvidos os segmentos teclado, cordas e percussão separadamente temos a noção da grandeza desses instrumentistas natos e suas virtuosas habilidades.
Mas o que fazia o ELP ser grande mesmo era a força da soma de suas partes, especialmente em canções gigantes como "Tarkus, onde se possibilitam várias nuances e andamentos, com lindas quebradas de andamento, onde os solos de teclados de Keith Emerson ou a voz suave de Greg Lake podem brilhar à vontade, tendo como recheio a magnífica, técnica e potente bateria do herói das baquetas, Carl Palmer, um professor do ofício.
Na faixa "Tarkus", destaco a beleza da parte 2, "Stone of Years", momento em que surge o canto aveludado de Greg Lake e deságua no estupendo e talvez mais famoso solo de teclado da carreira de Keith Emerson; a parte seguinte, "Iconoclast", onde a música re-acelera seu andamento e fica mais rock and roll; e a parte 6, "Battlefield", para mim, talvez a sequência mais linda de toda a carreira do grupo, onde a harmonia entre a base de teclado de Emerson encontra os lindos acordes da guitarra de Lake, somados com seu canto, beleza rara.
Vale ressaltar que tanto no estúdio, como menos ainda ao vivo, Greg Lake costumava empunhar uma guitarra, sendo predominantemente baixista e vocalista. Porém, quando o fazia, como neste caso, era enormemente feliz em seu tocar.
Mas a qualidade do disco não para por aí. Virando o lado, temos o divertido jazz, "Jeremy Bender", abordando a questão homossexual na pele do personagem que intitula a canção, que tinha o desejo de se tornar freira.
Na sequência, em "Bitches Cristal", o trio "quebra tudo" e manda uma pedreira que fala de bruxaria, aos berros rascantes de Greg Lake e o teclado tenso de Emerson.
Momento de linda calmaria, "The Only Way", iniciada por uma alusão à Toccata em Fá Maior, de de Sebastian Bach, conduzida pelo piano magistral de Emerson e voz maviosa e melódica de Lake, culminando numa versão jazz-erudita de Prelúdio nº 6 de Sebastian Bach. Uma ode ao teocentrismo x antropocentrismo.
Seguimos com a instrumental "Infinite Space", um jazz-rock psicodélico, porém nada estranho à época.
Sequenciando com a excelênte "A Time and a Place", música bem trabalhada, com vocal pesado de Lake, solo de Emerson e batida firme e precisa de Palmer, uma pancada do rock progressivo.
O trabalho fecha com o rockabilly "que homenageia o produtor musical Eddy Offord, que produziu vários álbuns do ELP e também do Yes.
Considero "Tarkus" um primor de seu gênero. Como o enalteci no título deste post, para mim constitui ao lado de "Trilogy" e "Brain Salad Surgery", na Santíssima Trindade da carreira do ELP, um grupo que certamente reuniu três dos maiores e melhores musicistas do século XX.

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Boa audição e boa viagem!

*Dedico este texto aos saudosos ídolos, Keith Emerson e Greg Lake.

Tracklist:

1. Tarkus (i. Eruption, ii. Stones of Years, iii. Iconoclast, iv. Mass, v. Manticore, vi. Battlefield, vii. Aquartakus)
2. Jeremy Bender
3. Bitches Crystal
4. The Only Way (Hymn)
5. Infinite Space (Conclusion)
6. A Time and a Place
7. Are You Ready Eddy?.