quinta-feira, 1 de junho de 2017

Os 50 anos de Sgt. Pepper's: entrevista exclusiva com o Sargento Pimenta


O GOLPE DE '67! (Pelo confrade Renato Azambuja.)

Sargento Pimenta, militar de meia-idade da reserva, preso por fraude ao ser flagrado vendendo cópias adulteradas do álbum clássico dos Beatles (uma 'reedição de luxo' contendo Strawberry Fields e Penny Lane), resolve romper um silêncio de 50 anos num acordo de delação premiada para tentar recuperar seu prestígio junto às novas gerações, e confessa: 'Sim, foi tudo parte de um grande golpe!'.
O Blog Confraria Floydstock obteve com exclusividade as gravações e uma entrevista de igual teor, que transcreve abaixo, na data do jubileu de Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band:

CF: De que tipo de golpe estamos falando, Sargento?
SP: De um golpe militar, ora bolas! Eu sou um sargento!

CF: Ok. E de que trata esse golpe?
SP: Foi um golpe contra o poder estabelecido, contra Abbey Road, contra os Beatles. Eu assumi o controle! Eu e a banda dos corações solitários.

CF: Certo, isso está ficando interessante. Então o álbum não é obra dos Beatles? O golpe está relacionado com a suposta morte de Paul McCartney?
SP: Oh, não! Paul estava bem vivo, e ainda está. A ordem partiu dele, aliás. Eu subjuguei o restante da banda sob o comando de Paul McCartney, e assim o álbum foi gravado!

CF: Meu Deus! Por que ele fez isso? Por que ele procurou o Sr? Quais as suas credenciais, o Sr já lutou em alguma guerra?
SP: Sim, eu e os corações solitários derrotamos os Malvados Azuis e libertamos Pepperland. Paul McCartney queria ser o líder da banda e requisitou meus serviços. O estopim para o golpe foi o primeiro levante ocorrido no seio do grupo.

CF: Levante? O Sr pode falar em termos não militares? Que levante foi esse? Os Beatles já estavam se desentendendo antes do lançamento de Sgt Pepper´s?
SP: Foi mais do que um desentendimento, foi um levante, um motim! Beatle contra Beatle! A banda estava perdendo força, e a estratégia de George Martin mostrou-se inadequada, outro motivo para a necessária tomada de poder.

CF: Que levante foi esse, quando ocorreu?
SP: O caos se instalara na banda, as gravações se estendiam por tempo demais. Faltava disciplina. Pra piorar, Martin, num ato impensado, lançou o single de 'duplo lado A' com Strawberry Fields e Penny Lane, que acabaram não sendo incluídas no Long Play. Não até esse ano, quando resolvi por bem fazer justiça e 'terminar o serviço', junto com essa confissão.

CF: Ah, o 'levante' em questão foi a competição entre as canções do mesmo single, uma lutando contra a posição da outra nas paradas de sucesso.
SP: Você me entendeu....

CF: Houve outros fatores? O que mais desencadeou o golpe?
SP: Sim, os Beatles não tocavam mais ao vivo, ninguém precisaria saber quem estava por trás do projeto. Não havia 'aparências' a manter. Além disso, John virou um pai de família suburbano, fraco e indisciplinado. 'A fish in a barrel', como dizemos na caserna.

CF: Houve outros envolvidos?
SP: Sim, o Sr Wilson.

CF: Wilson...?
SP: Brian Wilson!

CF: 'O' Brian Wilson, dos Beach Boys? Ele participou do golpe?
SP: Indiretamente. Paul e Brian vinham conspirando já há algum tempo, desde o lançamento de Rubber Soul. Pet Sounds foi o código para a eclosão do golpe, para irmos além e tomar o poder.

CF: Ir além?
SP: Exato! Brian demonstrou que a banda era desnecessária, gravando o PS com músicos de estúdio, a 'Wrecking Crew', enquanto os Beach Boys excursionavam. Apesar de ser um gênio, Brian não tinha a disciplina e a fibra necessários para dar o próximo passo....

CF: E qual foi esse passo? O golpe?
SP: O golpe, que consistia em eliminar a barreira entre a arte e o pop. O Sr Wilson, na verdade, criou uma obra de arte pura, inviável do ponto de vista mercadológico. Os Beatles foram além, ultrapassando as limitações de estúdio da época, criaram novas técnicas de gravação e reinventaram os conceitos de pop, de álbum e, de quebra, Os Anos Sessenta!

CF: Quando você diz 'os Beatles', quer dizer que os demais também colaboraram? Qual foi sua real participação na concepção do álbum e das canções?
SP: Enorme. Meu nome está na capa, não está?

CF: Sim, o Sr teve a ousadia de colocá-lo lá, sem o menor receio de que fosse descoberto.
SP: A maior façanha do diabo foi convencer a todos da sua inexistência.

CF: Muito bem. E o Sr tem esperanças de recuperar seu prestígio com essa delação?
SP: Na verdade, eu não me preocupo com isso. As gerações passam, mas eu não. Se escolhem passar sem mim, o problema é delas. E eu também posso muito bem pular algumas, como um atavismo.

CF: Então por que o Sr resolveu fazer a confissão?
SP: Eu devia esse pequeno favor a um amigo."