sábado, 24 de junho de 2017

O álbum que fez Muddy Waters conquistar o público branco americano


Considerado o pai do blues de Chicago e do blues elétrico, Muddy Waters mudou-se para a cidade em 1940. Porém, a sua primeira aventura em durou apenas um ano, tempo em que tocou com Silas Green. Muddy retornou em 1943 com o objetivo de se tornar um músico profissional. Nessa época, o lendário Big Bill Broonzy deu uma grande ajuda para Waters, colocando o amigo para abrir os seus shows. A coisa mudou de figura em 1945, quando Muddy ganhou de seu tio Joe Grant um presente que mudaria a sua vida, e também o blues: a sua primeira guitarra elétrica.

Falar da discografia de Muddy Waters é complicado. Como todo artista que produziu naqueles primeiros anos da indústria fonográfica, ele tem diversos registros espalhados em compactos, compilações e participações em discos dos mais variados músicos. Entretanto, alguns álbuns de Muddy Waters são presença obrigatória em qualquer coleção de blues que se preze. Anote aí quais você deve ter: Folk Singer (1964), Down on Stovall’s Plantation (1966), Electric Mud (1968), After the Rain(1969), Fathers and Sons (1969), They Call Me Muddy Waters (1970), Live at Mr. Kelly’s (1971), Hard Again (1977), I’m Ready (1978), Muddy “Mississippi” Waters Live (1979) e King Bee (1981. Além destes, lançados enquanto o músico ainda era vivo, há dezenas de compilações e ao vivos no mercado, retratando toda a sua carreira.

Porém, se eu tivesse que optar por apenas um disco, ele seria o seminal Muddy Waters at Newport 1960 (1960). O álbum contém a lendária apresentação do bluesman no Newport Jazz Festival no dia 3 de julho daquele ano. Ao lado de Muddy estavam o pianista Otis Spann, o guitarrista Pat Hare, a harmônica de James Cotton, o baixista Andrew Stevens e o baterista Francis Clay. O LP tem oito faixas retiradas do show, e chegou às lojas norte-americanas em 15 de novembro de 1960.

At Newport foi aclamado pela crítica e, surpreendentemente, foi também um grande sucesso de público, tornando-se fundamental para a popularização do blues entre os brancos norte-americanos, país onde a segregação e o preconceito racial foram a ordem do dia até a década de 1970.

Muddy Waters faleceu em 1983, porém o seu legado jamais irá morrer.

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