terça-feira, 16 de maio de 2017

Rememorando: os 50 anos de Pet Sounds


No ano passado a obra-prima dos Beach Boys, o icônico álbum "Pet Sounds", fruto da genialidade do espetacular Brian Wilson, competou seus cinquenta anos de lançamento.

No espaço Rememorando trazemos hoje o texto do confrade Leonardo Malta escrito há exatamente um ano sobre o jubileu de ouro do referido álbum. Leia abaixo.

50 ANOS DE “PET SOUNDS – THE BEACH BOYS”

POR: LEONARDO MALTA

“I may not always love you, but long as there are stars above you...God only knows what i'd be without you..."

Dessa forma, embalada pela perfeição da celestial “God only knows”, Pet Sounds soava diferente de tudo que já foi ouvido.

Tenro, suave, pop barroco, psicodélico, sentimental, experimental, mas honesto, assim surgia este icônico álbum na história da música.

Em 16 de maio de 1966, os americanos do The Beach Boys lançavam o seu 13° álbum de estúdio após muitas dúvidas e desconfianças entre seus integrantes. Com 36 minutos e 12 segundos, pela gravadora Capitol, o trabalho trouxe um repleto de inovações que culminam em um som rico, perfeitamente arranjado, com harmonia vocal, com uma gama de efeitos sonoros e instrumentais.

Antes de iniciar as composições e gravações desse trabalho, Brian Wilson se queixava aos colegas de banda, em uma conversa a beira da piscina dizendo que queria algo real, diferente e original. Ele disse: “Vocês já ouviram Rubber Soul dos Beatles? Pois é, ali tem tudo. É completo, tá tudo junto cara!, é isso sabe...”. (DICA DE FILME: essa conversa você assisti no filme que já indico: “The Beach Boys: Uma história de sucesso” de 2014, direção: Bill Pohlad, com John Cusack, Paul Dano e Elizabeth Banks) Brian Wilson queria algo diferente do que estavam fazendo, pois até então o som da banda era um rock voltado para o surf music, como exemplo das canções: “Surfin’ U.S.A.”, “I get around”, “California Girls”.

Além dos questionamentos, Brian tinha sofrido um ataque nervoso no final de 1964, quando desde então, parou de excursionar com a banda e passou a escrever sobre solidão, carência e ansiedade. Mesmo a banda chamando-o para voltar aos palcos da turnê, ele resolveu continuar nos bastidores, indo para o estúdio e gravando tudo o que sentia em um introspectivo, sofisticado e engenhoso disco.

Wilson trabalhou no início de 1966, na gravação da metade do disco. Quando os outros Beach Boys retornaram de uma turnê no Japão e Havaí, notaram uma super mudança do som em relação ao desempenhado nos trabalhos anteriores.

Houve resistência ao projeto dentro do grupo, mas nesta ocasião, a influência de Wilson em seu novo trabalho convenceu os demais, pois todas as faixas foram produzidas e arranjadas por Brian, que também escreveu todas as músicas, exceto “Sloop John B”.

Brian desenvolveu o método de produção ao longo de anos, culminando em Pet Sounds o seu auge, com abordagem de uma técnica chamada “The Wall of sound” - A parede de som, criada por seu mentor Phil Spector, homenageando-o com o nome do album pelas iniciais. Wilson foi quem praticamente inaugurou as explorações de sons que surgiam usando diversos instrumentos elétricos e vozes misturando com eco e reverb, além de duplicar instrumentos.

Wilson era autoditada, trabalhava os arranjos de cabeça e rascunhava abreviadamente na hora, acrescentando algumas sugestões trocadas com outros músicos durante os ensaios.

Foram utilizados os melhores músicos de Los Angeles na época, conhecidos como “The Wrecking Crew”, que encorparam as criações de Wilson com um som praticamente sinfônico, repleto de detalhes nos diversos instrumentos tocados no estúdio.

A temática nas letras de dificuldades na adolescência e conflitos na transição para vida adulta reunidas com sons cheios de: metais, sinos, cordas, acordeão, piano, cravo, ukulele, gaita, órgão, flauta, bandolim, tambores e percussões, vocais, buzinas, campainhas e até latidos de cachorro, influenciou uma geração de músicos dos anos 1960, tais como:

Os Beatles: “esse disco foi inspiração e influência para o surgimento (do também conceitual e histórico) Sgt.Peppers lonely hearts club band”;

George Martin: “sem Pet Sounds, Sgt. Peppers não teria acontecido...Peppers foi uma tentativa de igualar Pet Sounds”;

Eric Clapton: “Considero Pet Sounds um dos maiores LPs pop já lançados”;

Elton John: “Eu nunca tinha ouvido essa mágica de sons, gravados de maneira surpreendente. Sem dúvida, mudou a maneira como eu e inúmeros outros, abordaram a gravação...”.
(Fonte das declarações dos artistas : Wikipedia)

Sobre os sons atípicos inseridos no disco, o mais curioso e comentado são os latidos de cachorro. Foi colocado um cachorro que latiu de verdade dentro do estúdio na gravação do disco. O animal é recorrente na infância do gênio compositor, vem de uma explicação de Audree, mãe de Brian Wilson, que tentava lhe explicar porque os cães latiam para algumas pessoas e não para outras; “um cachorro sente as vibrações das pessoas, algo que não se pode ver, mas se pode sentir. O mesmo acontece com gente”.

Daí decorre não só a ideia para inserir sons no disco, mas também para o single de muito sucesso “Good Vibrations”, lançado naquele mesmo ano.

Considerado um dos discos mais influentes da música mundial, classificado sempre no topo das listas de maiores álbuns de todos os tempos, por diversos críticos e revistas especializadas, Pet Sounds é um disco absoluto, majestoso, único, original, influente, obrigatório para qualquer pessoa que goste apenas do que é som, do que é música.


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As canções desta obra prima são:

LADO A

1. WOULDN’T IT BE NICE
2. YOU STILL BELIEVE IN ME
3. THAT’S NOT ME
4. DON’T TALK (PUT YOUR HEAD ON MY SHOULDER)
5. I’M WAITING FOR THE DAY
6. LET’S GO AWAY FOR AWHILE
7. SLOOP JOHN B

LADO B

1. GOD ONLY KNOWS
2. I KNOW THERE’S AN ANSWER
3. HERE TODAY
4. I JUST WASN’T MADE FOR THESE TIMES
5. PET SOUNDS
6. CAROLINE, NO