quarta-feira, 24 de maio de 2017

Rememorando: Bob Dylan, uma figura superlativa


Hoje o mestre Dylan comemora mais um ano de vida, já são 76.

Ano passado à ocasião de seus 75 anos, o confrade Renato Azambuja, o nosso eterno Dali, elaborou um belo texto sobre o músico que agora também é Nobel.

É esse texto que trago hoje no espaço Remememorando, que você pode reler abaixo:

Os 75 anos de Bob Dylan!

Por Renato Azambuja (Dali).

Hoje Bob Dylan completa 75 anos, e como tudo acerca de sua figura é superlativo, o dia de hoje também deverá ser lembrado como o de uma das encomendas mais cruéis desde o dia em que Deus solicitou a Abraão o sacrifício de um filho como prova de fidelidade (tema abordado por Dylan, aliás, em Highway '61).
Isso porque recebi ontem à noite, enquanto Confrade, uma singela mensagem de nosso fundador, o "Don", sobre a urgência de se produzir um texto sobre o aniversário de Dylan até amanhã (hoje, no caso).
Não fosse a queda na temperatura e teria me aventurado a dizer não. Porém, ainda mais apavorante do que a companhia dos peixes, animais de sangue frio, é o choque térmico com o fundo do córrego.
Sendo assim, deixo consignado desde já a todos que professam Dylan (também conhecidos como fãs) que isso é tão somente uma homenagem. Não há nada a dizer, nenhum tema que o próprio Dylan já não tenha esgotado, inclusive ‘O’ Dylan, que não era um criador de alter egos como Bowie, mas desde muito antes (mais especificamente quando travou contato com o som de Lead Belly) do lançamento de seu primeiro álbum incorporava à própria imagem suas várias facetas, apresentando-se como um pobre migrante do Sul quando na verdade era um filho de classe média do Meio-Oeste americano.
Seu próprio sotaque era forjado. Dylan fez de si uma obra-prima inacabada, like a Rolling Stone. Tudo o que não fazia parte de sua arte: origem, classe social e filiação, era absolutamente desprezível.
Tampouco lhe interessava a 'verdade' com que arrebatou uma legião assustadora de seguidores, que o chamaram Judas quando Dylan convocou uma banda para ‘escoltá-lo’ ao palco.
Assim é sua música: letra, melodia, impressões bem humoradas de um simples ser humano de inflexão anasalada em meio ao turbilhão dissonante da sociedade americana. Tudo magistralmente encaixado em sua fórmula...e brutalmente descartado em seguida!
Pouquíssimos compreenderam tão bem a importância do mistério em detrimento da superexposição.
Após um controverso acidente de moto em Woodstock, em '66, e seu 'sumiço' dos holofotes, a comunidade artística onde morava tornou-se local de inspiração e peregrinação para os grandes como Hendrix e Clapton, e em 1969 abrigou um dos maiores festivais e símbolos da contracultura sessentista americana.
Nasce a lenda quando a arte é maior que a vida. Quanto a Dylan não se sabe, desde o início, qual imita o quê.
O sangue de uma vida assim sacrificada escorre direto para as faixas. Esse é o título do álbum que coroou artisticamente a separação entre Dylan e Sara Lownds, Blood on The Tracks, um dos maiores registros elétricos do bardo.
O incansável Robert Allen Zimmerman, nascido a 24 de maio de 1941, está de folga no dia de seu aniversário graças a uma pequena pausa da Never Ending Tour, nome popular de uma série de shows intermediários de Bob Dylan realizados desde 7 de junho de 1988.