sexta-feira, 14 de abril de 2017

Os 72 anos de Ritchie Blackmore


No espaço rememorando de hoje, uma compilação de textos meus em homenagem ao eterno guitarrista púpuro, Ritchie Blackmore, que completa seus 72 anos hoje:

Hoje é dia dele. Chato, mal encarado, marrento, mal humorado e tudo mais nesse sentido, mas um dos maiores musicistas nascidos no século XX.
Criador e difusor do estilo neoclássico de entoar sua guitarra, Ritchie Blackmore traz em seu DNA o erudito, o blueseiro, o roqueiro hard e acima de tudo, o músico, por muitas vezes performático.

Hoje o foco principal será dedicado a ele, com n postagens o homenageando nas suas três faes principais de sua carreira: Deep Purple, Rainbow e Blackmore's Night.

Iniciando nossas homenagens ao mestre Ritchie Blackmore, eis o que considero seu melhor momento na fase Deep Purple.
Justiça seja feita: todos os cinco membros do grupo só faltou fazer chover nas apresentações na terra do sol nascente, que originaram o duplo ao vivo "Made In Japan".
E Ritchie simplesmente fora fantástico.
Desde a inicial e trovejante "Highway Star", com o seu famoso e inigualável solo melódico, a melhor versão de "Child In Time", com um Blackmore literalmente endiabrado, o improvisado e prolongado riff inicial de "Smoke And The Water", o inesquecível duelo guitarra-voz travado com Ian Gillan em "Strange Kind Of Woman", o mergulho no blues-rock em "Lazy" e a viagem absoluta de "Space Truckin'.
Enfim, Ritchie Blackmore e seus amigos (amigos pero no mucho) fizeram os japas arregalarem os olhos e infelizmente isso não foi filmado.

Seguindo em nossas homenagens ao guitarrista Ritchie Blackmore, destaco agora o momento que considero como sendo o seu ápice na fase Rainbow: a apresentação registrada no CD/DVD Live in Munich, de 1977.
Ao contrário do álbum da nossa primeira mensagem de hoje, o Deep Purple "Made in Japan", onde tudo funcionava e brilhava pelo conjunto e entrosamento, aqui no Rainbow, tudo fora montado para que o chefe e idealizador do grupo brilhasse.
Mas o nosso Blackmore, como de bobo nunca tivera nada, convocou músicos de primeira grandeza para serem seus "coadjuvantes de luxo", com potencial imenso de roubarem a cena.
Então, acompanhado pelo "nanico" em tamanho, mas gigante na voz, Ronnie James Dio, do baixista Bob Daisley, que depois iria se juntar a Ozzy Osbourne e Uriah Heep, do fantástico pau pra toda obra, o baterista Cozy Powell, além do tecladista David Stone, o que se viu e ouviu fou um maravilhoso espetáculo de blues-hard-rock, capitaneado por sua excelência Ritchie Blackmore, que despejou ali todas as suas influências musicais.
A porrada hard já nos pega de jeito com os riffs e solos de Ritchie guarnecidos pelos lindos gritos de Dio em "Kill the King".
Divagando na intro e climatizando tudo, Blackmore nos remete ao blues-rock-lamento de "Mistreated", onde novamente Dio é magistral em seu canto (e quando ele não era).
Outros espetáculos à parte são a linda e extensa Catch the Rainbow", onde o erudito aparece na introdução, com Blackmore entoando um trecho lírico de "Ave Maria" e mais pra frente durante a canção ele sola a perder de vista, felizmente.
A certeira "Long Live Rock 'n' Roll" é o clássico hard rock por definição, território onde Ritchie Blackmore conhece como ninguém.
Em "Man on the Silver Mountain" ele nos brinda com uma blueseira improvisada dentro da canção.
E como último destaque, o que ele fez em "Still I'm Sad", um cover da banda The Yardbirds que na sua versão orignal não passa de três minutos e aqui fica nove vezes maior é algo fora-de série.

Sequenciando com nossa homenagem ao excepcional Ritchie Blackmore, chegamos à fase que ele está hoje, a bordo de sua banda celta-folk-rock Blackmore's Night ao lado de sua candura, a esposa e cantora Candice Night.
E desta fase eu enalteço justamente o debut, ou seja, o álbum primeiro deste projeto, "Shadow Of The Moon", lançado em 1997.
O trabalho todo é refinado e primoroso, com um Ritchie Blackmore aqui, mais sereno e compenetrado às suas notas, sem todo o espalhafato sonoro e performático que imaginávamos ao ouvir e víamos nas suas obras do tempo de Purple e Rainbow além de deixar um pouco as guitarras descansarem e empunhar mais violões e bandolins.
Destaco as faixas "Play Minstrel Play", com participação de ninguém menos de Ian Anderson, com sua flauta mágica, "Ocean Gypsy", cover do Renaissance, onde Candice não fica devendo à Annie Haslam e Blackmore faz lindos acordes.
Em "Writing on the Wall", Blackmore faz uma linda adaptação celta à obra de Tchaikovski.
Mas é no segmento final que o disco fica maravilhoso ao cubo.
"No Second Chance", uma linda balada celta, "Mond Tanz", um show de notas de Blackmore, numa canção alegre, "Spirit of the Sea", a voz de Candice nos faz ter certeza que fora feita para o violão de Ritchie Blackmore, a famosa "Greensleeves" ganha sua versão trabalhada pelas cordas de Ritchie e a última "Wish You Were Here" (apenas homônima a aquela do Pink Floyd) na minha opinião, sozinha ela já valeria todo o álbum, música completa, lindíssima e aqui sentimos novamente uma guitarra que nos faz lembrar que aqueles tais acordes são púrpuros.
Versões posteriores ainda trouxeram a faixa bônus "Possum's Last Dance".

No ano passado Ritchie voltou a "rockar", montando um novo Rainbow para concertos na Alemanha e Inglaterra. CONFIRA AQUI