terça-feira, 11 de abril de 2017

Em 11 de abril de 1988 o Iron Maiden lançava "Seventh Son Of A Seventh Son".


"Seven deadly sins
Seven ways to win
Seven holy paths to hell
And your trip begins
Seven downward slopes
Seven bloodied hopes
Seven are your burning fires,
Seven your desires..."


"Sete pecados mortais
Sete maneiras de vencer
Sete atalhos sagrados para o inferno...
e sua jornada começa
Sete ladeiras abaixo
Sete esperanças ensanguentadas
Sete são os seus fogos queimantes
Sete são os seus desejos".

Com estes versos declamados pelo frontman Bruce Dickinson, tem-se o início o fascinante álbum conceitual da Velha Donzela, trazendo a eterna luta entre o bem e o mal em suas notas e letras, aqui no caso para se apossarem do profético Sétimo Filho nascido de um também Sétimo Filho, um homem divino, com poderes máximos, tal qual Cristo, se pender para o bem, ou como Lúcifer, caso sirva ao mal.

As canções:

Todas as oito músicas do disco estão atreladas à história cronológica do Sétimo Filho, onde nas quatro primeiras temos um contexto preambular, explicando o tempo em que o Sétimo Filho ainda não tem plena consciência de quem realmente é, a faixa-título, quando ele adquire a catarse ou tomada de consciência e as três finais, já pleno.

A faixa inicial, "Moonchild", seria a melhor do disco, não fosse a faixa-título, a qual discorrerei mais abaixo.
Introduzida com sintetizador comandado pelo chefe Steve Harris e as guitarras irmãs de Adrian Smith (que estava se despedindo, ainda que provisoriamente do grupo) e o sempre preciso Dave Murray, "Moonchild" nos mostra que ouviremos um dos melhores discos do Iron Maiden e quiçá um dos melhores da década de 80. Uma pedrada, muito bem trabalhada, na velocidade máxima onde se é possível coadunar aceleração e melodia, com Bruce esbanjando sua capacidade vocal, principalmente nos brados dos refrães.
Na sequência, "Infinite Dreams", começa soando como uma balada, mas entrega bem mais que isso. Flui uma canção cadenciada, de canto difícil, que requer habilidade, nada que Dickinson não desse conta. No acelerar do rítmo, Steve Haris no baixo, magnífico, dá o tom para a harmonia das duas guitarras em solos melódicos.
O single e música de trabalho, "Can I Play With Madness?" é a música mais simples, porém deveras pegajosa, de refrão fácil, no formato três minutos e pouco, tal qual gostam as gravadoras e meios radiofônicos. Uma canção que certamente anima ao ser cantada, muito disto, pelo refrão onde o sétimo filho dialoga com um "oráculo" ou algo do tipo. Essa música ganha grande força ao vivo.
Ao ouvirmos os primeiros acordes de "The Evil That Men Do", canção esta cujo nome e ideia fora inspirado no contexto shakespeareano que diz: "A bondade que os homens fazem, são enterradas junto com seus ossos. Mas o mal que os homens fazem, sobrevive eternamente..", temos a certeza que se seguirá uma das músicas que permanecerão ativas na carreira da banda. E de fato, ela ganhou o status de sempre ou bastante presente em shows da Donzela. Um heavy metal claro, direto e lúcido, com as linhas de guitarra a conduzindo com enorme beleza. Linda canção.
Assim como aos 30 anos de idade, Jesus tomou a plena consciência de seu momento e status divino, aqui na nossa história chegou tal momento para o Sétimo Filho, o seu despertar na faixa-título, a melhor do disco e para mim, a melhor música do Iron Maiden.
O espetacular teclado que a abre, simulando um lindo coral sacro-lírico-angelical, seguido dos riffs de Murray e Smith e o canto preciso de Dickinson são somente a ponta do iceberg da grandiosidade desta música, que nos traz toda a atmosfera ritualística para a chegada do Sétimo Filho, climatizada pelo baixo e sintetizador de Steve Harris e anunciado por Bruce Dickinson:

"Today is born the seventh one
Born of woman the seventh son
And he in turn of a seventh son
He has the power to heal
He has the gift of the second sight
He is the chosen one
So it shall be written
So it shall be done"

"Hoje nasceu o Sétimo
Nascido de uma mulher, o Sétimo Filho
E ele se tornou o Sétimo Filho
Ele tem o poder da cura
Ele tem a presença do segundo sinal
Ele é o escolhido
Que assim esteja escrito
Que assim seja feito"

Dito isto, a canção "encena sonoramente" uma verdadeira batalha bem x mal, onde as guitarras solando agressivamente, intercalando-se com o teclado soando como coral de anjos, culminaM num lindo solo harmônico de 12 cordas.
Agora o trabalho parte para sua parte final. Na canção seguinte, a belíssima The Prophecy", destaque à parte para a condução da melodia feita pelas guitarras e outra de cadência vocal bem colocada, com alguns versos rápidos, outro belo desempenho de Bruce Dickinson. Para melhorar mais ainda, a música fecha ao som de violões.
Então o chefe entoa em seu baixo para que as guitarras o sigam no início da sua composição "The Clairvoyant", canção clássica, com a cara de Iron Maiden, com aquela linha melódica e solos de guitarra que lhe é peculiar, bem reconhecida pelos fãs. Uma ode à vida, morte e reencarnação.
"Only The Good Die Young", canção rápida, seca e direta, fecha o álbum com as trevas cantando vitória, pois tudo que é bom dura pouco e somente o mal prevalece no mundo, corrompendo tudo e todos através de seus sete pecados, com os versos daa intro do disco agora o finalizando.

Resultado: "Seventh Son Of A Seventh Son" chegou ao topo da parada bretã.

Não é nenhum absurdo afirmar que "Seventh Son Of A Seventh Son" seja "O" ou pelo menos um dos marcos iniciais do que conhecemos hoje por Metal Progressivo.
Não é novidade para ninguém a predileção do chefe Steve Harris pelo prog, especialmente por bandas na linha de King Crimson, e, sendo ele o principal compositor do grupo, essa influência logicamente apareceria, para mim, felizmente.


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Tracklist:

1. Moonchild (Adrian Smith e Bruce Dickinson)
2. Infinite Dreams (Steve Harris)
3. Can I Play With Madness? (Smith/Dickinson/Harris)
4. The Evil That Men Do (Smith/Dickinson/Harris)
5. Seventh Son Of A Seventh Son (Steve Harris)
6. The Prophecy (Dave Murray e Steve Harris)
7. The Clairvoyant (Steve Harris)
8. Only The Good Die Young. (Steve Harris e BruceDickinson)

A Banda:

Bruce Dickinson - Vocal
Dave Murray - Guitarra
Adrian Smith - Guitarra e Backing Vocal
Steve Harris - Baixo, Sintetizadores e Backing Vocal
NICKO McBRAIN - Bateria.