quinta-feira, 16 de março de 2017

Pink Floyd: Shine On... a atmosfera Syd Barrett


No espaço "Rememorando" dessa semana selecionei meu texto de janeiro de 2014, época do meu blog Free Four, sobre como a canção "Shine On You Crazy Diamond" se traduz na melhor homenagem ao criador Syd Barrett. Texto que fora também publicado no Whiplash.net .

Leia abaixo:

Pink Floyd: Shine On... a atmosfera Syd Barrett

O álbum Wish You Were, lançado em 1975 pelo Pink Floyd foi uma bela homenagem ao seu criador Syd Barrett, afastado da banda em janeiro de 1968 devido à sua impossibilidade mental por causa de dependência de ácidos e outras drogas.

A música-título talvez seja a mais comercial e difundida desse álbum, tanto nas rádios, em barzinhos com música ao vivo, e até mesmo em aulas de violão.

Realmente trata-se de uma canção tocante e versos lindos sobre Syd e para ele, estes escritos pelo baixista Roger Waters, principal e já o então único letrista da banda.

Porém, vejo que em se tratando de homenagem a Syd Barrett, a música que abre e fecha o álbum: "Shine On You Crazy Diamond" (dividida em duas faixas no disco) é a perfeita homenagem ao criador, tanto nos versos, mas sobretudo instrumentalmente.

Instrumentalmente porque ela nos remete totalmente à atmosfera barrettiana, a começar pela introdução, com os teclados de Richard Wright e a guitarra de David Gilmour trazendo uma "viagem dramática" às nossas mentes, esse trecho é como um mergulho nas profundezas da esquizofrenia de Syd.

Seguindo a introdução vem aqueles emblemáticos quatro acordes de Gilmour, trazendo-nos toda a tensão psicodélica que pega de jeito qualquer fã floydiano, dá para sentir a presença do próprio Barrett nessa parte.

Em seguida a banda toda entra tocando, com solos de Gilmour, sequência de teclado de Wright e solo de Gilmour novamente, e enfim chegando na letra...


A primeira parte fecha com o ótimo saxofone do convidado especial Dick Parry, terminando com sons ventos, dando a deixa para a continuação que viria quatro faixas depois para encerrar o disco.

Na parte final, os ventos nos levam a uma espécie de jam acelerada progressivo-psicodélica, onde a música vira aquela doideira sonora, com o solo de guitarra de Gilmour, dessa vez usando slide, dá aquela carga tempestuosa na música que desemboca na segunda parte da letra...


Passando a parte final da letra a música entra numa sonoridade meio prog-jazz instrumental, uma sonoridade gostosa de ouvir, com bases de teclados bem definidas e uma guitarra suingada com uma linha de baixo dando o rítmo.

O encerramento nos remete literalmente a uma sensação de despedida de Syd Barrett, como um fechamento de um ciclo.

Esse "epílogo" musical foi composto por Richard Wright, logo é embebida em sintetizadores, como se tudo se turvasse e fosse ficando translúcido, como a mente de Syd Barrett ficara.