sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Os 30 anos do álbum que diluiu A Cor do Som



Em 1987, o mercado fonográfico não estava receptivo ao pop tropical do grupo A Cor do Som. O rock brasileiro vivia período áureo simultaneamente com a abertura da indústria para a música baiana rotulada como axé music e para o samba carioca rotulado como pagode. Não por acaso, aliás, A Cor do Som flertou com o axé da época em Dança bahiana (Carlos Pita), música que tocou bem nas rádios de Salvador (BA). Dança bahiana é uma das 12 composições que formam o repertório irregular de Gosto do prazer, álbum lançado pela Cor do Som naquele ano de 1987 via gravadora RCA (na época, em processo de mudança para se chamar BMG-Ariola) e relançado, 30 anos depois, em edição digital disponibilizada no iTunes e em plataformas de streaming a partir de hoje, 10 de fevereiro de 2017.
Em que pesem as cores vivas da capa do álbum, Gosto do prazer é um dos títulos mais pálidos da discografia da banda, embora seja melhor do que o desbotado LP anterior O som da cor (1985). Parceria de Jorginho Gomes com Gilberto Gil, a música-título Gosto do prazer foi promovida como salvadora da pátria, inclusive pela participação de Gil na faixa, mas o disco não obteve a repercussão esperada. Tanto que A Cor do Som se dissolveu um tempo após o lançamento do álbum, voltando à cena somente em 1994, após sete anos.
A musicalidade tropical da banda ainda tinha pegada, mas o repertório de Gosto do prazer resultou pouco sedutor, deixando a sensação de que a banda perdera o frescor que pautara álbuns como Frutificar (1979), o primeiro disco da Cor do Som com músicas cantadas. Desde o início dos anos 1980, a banda já vinha perdendo integrantes essenciais como Armandinho.
Antes da gravação de Gosto do prazer, aliás, saíram o guitarrista Perinho Santana (1949 – 2012) – incorporado à banda no disco anterior – e o baterista Gustavo Schroeter. Em contrapartida, entraram Jorginho Gomes (na bateria) e Didi Gomes (no baixo então tocado por Dadi Carvalho) para se unirem a Dadi (que foi para a guitarra), Mú Carvalho (teclados) e Ary Dias (percussão). Os músicos saborearam o gosto do prazer de tocar e gravar as 12 músicas do álbum. Mas, naquele momento, o Brasil não queria ouvir A Cor do Som, banda vinda dos Novos Baianos que despontara pioneiramente com suingue pop no reino da MPB