terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Metallica: Lady Gaga, futura frontwoman?



Pois é. O caldo está engrossando e a coisa parece ficar gradativamente mais séria. Talvez fosse pra ser apenas mais um desses duetos feitos especialmente para grandes ocasiões, como o "ZéPultura" (Zé Ramalho + Sepultura no Rock in Rio) e muitos outros encontros desse naipe (em alguns casos são desencontros).
Confesso que ontem ao começar a ler sobre o líder do Metallica, Lars Ülrich ter ficado fascinado com o número da banda com Lady Gaga na cerimônia do Grammy Awards no domingo último e que o grupo estaria cogitando efetivá-la como membro e dar seguimento em outros projetos em parceria, eu realmente pus o pé no freio, achei que fora algo dado pela euforia do momento e novidade e tomado por um certo ceticismo, aguardei.
Contudo hoje a coisa continou crescendo, especialmente pelas divulgadas palavras de Lars:

"Já estamos avançando rapidamente para o próximo capítulo, quando poderemos fazer mais coisas juntos. Não é um daqueles casos em que vinte advogados, managers e estrategistas sentam ao redor da mesa e discutem como forçar duas pessoas de mundos diferentes a fazerem algo em rede nacional. De ambos os lados, tanto do Metallica quando de Lady Gaga, o que está rolando é algo autêntico e orgânico como nunca houve antes. Estamos apenas começando...
...(Ela é) “o quinto integrante perfeito para o Metallica”: “Sua voz, sua atitude, sua visão de tudo, são impressionantes. A sua performance foi tão natural e orgânica e ela tem o espírito do hard rock e do metal fluindo en suas veias. É realmente fácil para ela fazer algo nessa linha. Não há nada artificial, ela só tem essa energia super quente e natural”.


Aí vem a parte boa: eu adoraria que isso se concretizasse com toda a força. Seria algo de profunda inovação no mundo da música nos últimos tempos. Imagine uma artista oriunda do universo pop adentrar o seio de uma banda icônica de trash metal e lá ficar e ambos crescerem ainda mais.
Seria um tapa em todo e qualquer preconceito nas errôneas cercas fronteiriças da música, derrubando-as, congraçando e tudo somente levando em consideração o "queremos apenas fazer música boa", independentemente de achar que em tal estilo não pode isso ou não pode aquilo.
Nem é preciso mais salientar a qualidade artística dessa frontwoman. Tudo ela já provou. Desde surgir com uma roupa feita de carne, causar espanto e impressionar Alice Cooper, passando por se apresentar com Rolling Stones e mandar muito bem em "Gimme Shelter", até o soberbo show com o célebre crooner Tony Bennett, que rendeu o excelente CD/DVD "Cheek to Cheek Live", onde ela mostrou que o jazz também está em seus poros. De quebra ela lança um álbum de extrema competência e minimalista, mostrando que não depende de toda a sofisticação eletrônica, tão presente nas gravações pop-fonográficas.

Aí vem a parte ruim: o fã do Metallica e o metaleiro seccional de carteirinha jamais entenderia e aceitaria isso. Especialmente aquele que começou a ouvir música a partir do Black Album, negligenciando todo estilo e influência pregressa.
Para ilustrar vale lembrar o apredrejamento que houve alguns anos atrás quando o Metallica se uniu ao genial Lou Reed e juntos lançaram o tão crucificado disco "Lulu", totalmente adaptado aos estilos de ambas as partes, mas um trabalho onde o grupo visivelmente reverenciava Reed, praticamente sendo sua banda de apoio às suas poesias. Estranho, porém extremamrente artístico e bem pensado.
Imaginemos agora o Metallica ir muito mais além e heterogeinizar sua música a esse nível "Gaga".
Ainda que nesse caso, ao contrário de como fora com Reed, certamente ela se encaixaria no som da banda, não deixaria de ser uma mudança total na roupagem sonora e visual das gravações e apresentações ao vivo.

Finalizando, ainda me é difícil crer que chegará a esse ponto, pois muitos muros precisariam ser derrubados para tal, mas bem que deveria. Porém se rolar ao menos uma parceria de estúdio, rendendo um bom álbum e alguns shows já valerá bastante a pena.

Sigo aguardando e torcendo e você?