quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Adriana Calcanhoto lança hoje seu livro "É Agora Como Nunca - Antologia Incompleta da Poesia Contemporânea Brasileira"



Adriana Calcanhotto queria um livro para acompanhá-la em suas férias de verão. "Leitora de poesia diletante", como ela mesma se define, optou por levar um único volume que contemplasse um recorte pessoal da poesia contemporânea, diluído em algumas dezenas de tomos.

Reuniu, então, obras de 41 poetas brasileiros nascidos entre 1970 e 1990 na compilação intitulada "É Agora Como Nunca - Antologia Incompleta da Poesia Contemporânea Brasileira", que será lançada nesta quarta (22).

"Qualquer antologia será incompleta ou não terá graça por não gerar polêmica", adianta a organizadora, falando à Folha direto de Portugal, às vésperas de sua primeira aula como professora convidada da Universidade de Coimbra, posição que ocupa até meados deste ano.

"Fui escolhendo os poemas, mas a velocidade da produção é tamanha que em alguns casos, como no de Luca Argel, troquei de poema por achar que o mais recente, da safra mais nova, era mais legal, que tinha uma evolução na poética. Alguns lançaram coisas novas enquanto eu fazia a antologia, então troquei", diz.

Na compilação, estão nomes "novos e novíssimos" como o repórter e os colunistas da Folha Bruno Molinero, Gregorio Duvivier e Fabricio Corsaletti, respectivamente, e as poetas Bruna Beber, Angélica Freitas e Estrela Ruiz Lemisnki. São jovens autores cujas obras, em verso livre, flertam com a crônica.

Calcanhotto ressalta que buscou concentrar-se na individualidade de cada um e na "forma como lidam com a influência dos mesmos poetas que leram" –"nada mais/ será como/ dante", resume Leo Gonçalves em uma de suas colaborações para a obra.

Há menções a Drummond, Leminski, e até mesmo à grã-mestra Wikipédia.

"Há um desassombro, uma não cerimônia com a poesia, usam palavras que não parecem, em tese, pertencer à poesia, coisas assim", observa.

Surpreende que uma obra elaborada durante um períodos conturbado do país apenas toque a superfície da política. Entre uma possível má percepção do leitor ou uma falta de identificação dos autores com o tema, Adriana Calcanhotto faz o mea-culpa e confessa que "provavelmente tenha a ver" com o seu filtro também.

"Mas não vi coisas explicitamente políticas, no sentido partidário, panfletário, enfadonho. Eles vivem no mundo de hoje e escrevem poesia, isso é um ato político. Poderiam estar calados."

*

você vai ver
ainda vai notar
vou escrever
algo para você
sem perceber
assobiar

besteiras
tolices
andanças

fazer você lembrar
tornar você lembrança
delírios desafinar
dançar nossa distância

vou escrever você
vou escrever
você vai ver
sem perceber
assobiar

Poema de Omar Salomão, extraído de "É Agora como Nunca"

de manhã na
praia eles combinam
o que farão à noite de
noite na festa eles
combinam de ir à
praia amanhã

"Carrossel", poema de Ana Salek também incluído na antologia


É AGORA COMO NUNCA
AUTOR Adriana Calcanhotto (org.)

EDITORA Companhia das Letras
QUANTO De R$ 23,90 a R$ 34,90 (144 págs.)
LANÇAMENTO quarta (22), às 19h
ONDE Tapera Taperá, av. São Luís, 187, loja 29, 2º andar (Galeria Metrópole), tel. (11) 3151-3797